História da Hipnose

Segundo Galvão (2003) a hipnose e a utilização de estados hipnóticos esteve presente em toda história da humanidade. Ao longo de seu desenvolvimento pode-se perceber três momentos distintos de seu uso e aplicações:
a) Hipnose utilizada pelos povos e civilizações antigas: a mais de 4 mil anos atrás, no Egito, Grécia, China e África, entre outros lugares, já se tem registro do uso da hipnose dentro de contextos religiosos, assim como medida terapêutica, indicando sucesso em casos como paralisia, epilepsia, cegueira, etc. (CORTEZ E OLIVEIRA, 2003; ROQUE e VILLANUEVA, 2001). Desse período também faz parte a Idade Média, pois a hipnose era usada com os mesmos propósitos que nas civilizações citadas, principalmente associada a rituais mágicos, cantos e orações (GALVÃO, 2003).

b) Hipnose no período de experimentação científica – Séc. XVIII e XIX: denominado período cientifico, pois nesse momento vários pesquisadores começaram a testar a eficácia de tal instrumento. A maioria dos profissionais que usavam e pesquisavam o fenômeno eram médicos, e utilizavam a hipnose durante todo século XVIII e praticamente todo século XIX como procedimento para aliviar sensação de tato e de dor, visto que os químicos analgésicos e anestésicos como clorofórmio vieram a ser desenvolvidos após a metade do século XIX. (GALVÃO, 2003). Como citam Roque e Villanueva (2001), os principais destaques dessa época são Franz Anton Mesmer, James Braid, Charcot, Berheim, Coué, Freud e Pavlov. Mesmer foi um médico do século XVIII que acreditava na existência de um “magnetismo humano”, realizando várias cirurgias e anestesias sobre o chamado “sono mesmérico”, desenvolvendo-se a partir daí a expressão Mesmerismo. Induzia tal estado através de movimentos realizados com as mãos associados a sua fala. O médico britânico James Braid (1795-1859), assistindo a uma cirurgia efetuada por Mesmer com anestesia geral provocada pelo uso da hipnose, passou a estudar o processo vindo a reformular a teoria de Mesmer. Braid definiu o estado hipnótico como um estado particular de “sono do sistema nervoso”, vindo a cunhar o termo hipnose, do grego Hypnos que simbolizava o Deus do sono na Mitologia Grega. Dessa forma, o termo hipnose ficou erroneamente associado à idéia de sono. Logo depois de haver cunhado este termo, James Braid se arrependeu, pois percebeu que cientificamente a hipnose não poderia ser comparada ao sono, sendo um estado justamente oposto ao sono, de intensa atividade psíquica e mental (atenção focado em alguma idéia). Braid utilizava basicamente a hipnose como forma de se obter a anestesia cirúrgica e para ensinar auto-hipnose aos pacientes, lembrando que o éter foi introduzido somente 1846 e o clorofórmio em 1847. Charcot (1835-1893), neurologista mais importante e conceituado de sua época, estava estudando os estados hipnóticos para tratamento de pacientes histéricas. Considerou a hipnose como um estado patológico de dissociação, comparando o transe ao processo histérico e a anormalidades no sistema nervoso. Na mesma época, Liébeault e Bernheim também estudavam a hipnose e seus fenômenos conforme descritos por Braid, pensando a hipnose como um estado de consciência normal e natural do ser humano, tendo um ponto de vista muito distinto de Charcot. Liebeault e Bernheim retomaram a idéia original de Braid de que a indução hipnótica decorria da sugestão, realizando inúmeros estudos e experimentações científicas. (CORTEZ E OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003; ROQUE e VILLANUEVA, 2001).

Freud (1856-1939), juntamente com Breuer, deu início a um processo de psicoterapia com hipnose em pacientes histéricas e as conclusões desse trabalho foram publicadas nos Estudos sobre histeria em 1895. Freud abandonou o uso da hipnose substituindo pelo método de associação livre e vindo a desenvolver a teoria psicanalítica. Concomitantemente, Pavlov (1849-1936), médico russo, estudou a hipnose segundo um ponto de vista neurofisiológico, utilizando as noções de excitação e inibição do sistema nervoso, fez com que posteriormente sua teoria fosse comprovada, fazendo com que a hipnose fosse aceita pela medicina oficial na Rússia, em especial no tratamento das neuroses de guerra. Em meados do século XX, e principalmente após as grandes Guerras, foi retomado o interesse pela hipnose para tratamento das neuroses de guerra e traumas psíquicos. William McDougall (1871-1944) e Clark Hull (1884-1952) nos Estados Unidos iniciaram trabalhos e pesquisas experimentais nas universidades utilizando controles científicos e estatísticos para sua mensuração. (CORTEZ E OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003).

c) Forma moderna de utilização da Hipnose : refere-se a chamada hipnoterapia Ericksoniana e foi desenvolvida por Milton Hyland Erickson (1901- 1980), psiquiatra americano do início do século XX, sendo considerado um marco divisório entre a hipnoterapia clássica da época de experimentação científica e a época moderna atual. Demonstrando-a como um fenômeno natural da mente humana, bem como sua existência e efeitos no cotidiano. Utilizou a hipnose em praticamente todos os problemas psicológicos, sendo autor de inúmeros artigos, livros e pesquisas científicas na área. Dentre as inúmeras contribuições de Erickson para o campo da Psicologia pode-se citar o conceito de utilização da realidade individual do paciente, a Terapia Naturalista, as diferentes formas de comunicação indireta, a técnica de confusão e de entremear. É considerado o maior Hipnoterapeuta do século XX devido a sua abordagem breve, estratégica e voltada para a solução. (CORTEZ E OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003)